A Polissonografia, também conhecida como “Estudo do Sono”, é um exame neurológico e respiratório completo que monitora as ondas cerebrais, os níveis de oxigênio no sangue, a frequência cardíaca, a respiração e os movimentos do corpo durante uma noite inteira de descanso. A sua realização é a ferramenta padrão-ouro (definitiva) para diagnosticar distúrbios graves que destroem a qualidade de vida, como a Apneia Obstrutiva do Sono, a Síndrome das Pernas Inquietas, o sonambulismo e a insônia crônica severa.

Dormir deveria ser o momento mais reparador do dia, uma pausa onde o corpo se conserta e o cérebro organiza as memórias. No entanto, para milhões de brasileiros, a noite é um campo de batalha invisível. O paciente ronca alto, para de respirar (engasga), acorda com o coração acelerado e passa o dia seguinte inteiro arrastando-se de cansaço, com risco iminente de dormir no volante ou sofrer um infarto.

Na CNCB, sob a revisão técnica do Dr. Marco Antonio Passos, sabemos que a ideia de “dormir em uma clínica cheio de fios colados na cabeça” gera muita desconfiança. *”Como vou conseguir dormir em uma cama estranha sendo vigiado?”*. Como explicamos em nosso guia central sobre Exames Neurológicos, o conforto do paciente é a nossa prioridade. As salas de polissonografia são projetadas para parecerem quartos de hotel aconchegantes. Este artigo vai desmistificar o exame, explicar para que servem todos aqueles sensores e mostrar como uma única noite monitorada pode adicionar décadas de saúde à sua vida.

O que a Polissonografia “assiste” enquanto você dorme?

O objetivo do exame é entender a arquitetura do seu sono. O sono normal tem ciclos (Fase Leve, Fase Profunda e a Fase REM, que é quando sonhamos). Para mapear tudo isso sem furar ou machucar o paciente, o técnico do sono utiliza um conjunto de biossensores indolores:

  • No couro cabeludo (EEG): Eletrodos medem as ondas cerebrais para saber exatamente em qual fase do sono você está e se o cérebro está despertando toda hora sem você perceber (microdespertares).
  • No rosto (EOG e EMG): Sensores perto dos olhos medem o movimento ocular (para identificar o sono REM) e sensores no queixo medem o relaxamento do músculo (se você range os dentes – bruxismo).
  • No peito e barriga: Faixas elásticas macias são colocadas ao redor do tórax e do abdômen para medir o esforço que você faz para puxar o ar.
  • No nariz: Uma cânula fina (como um óculos de oxigênio de hospital, mas sem jogar ar) mede o fluxo da sua respiração e detecta o ronco.
  • No dedo (Oxímetro): Um clipe com uma luz vermelha mede a quantidade de oxigênio no seu sangue e seus batimentos cardíacos.
  • Nas pernas: Sensores nas panturrilhas flagram movimentos e chutes involuntários durante a madrugada.

Sinais de Alerta: Quando o médico pede o Exame do Sono?

A polissonografia não é pedida para quem teve “uma noite ruim”. Ela é indicada quando os sintomas se tornam crônicos e afetam a saúde do coração e do cérebro. Veja as principais indicações clínicas:

Sintoma / Queixa O que o exame tenta descobrir? (Doenças)
Ronco muito alto seguido de “engasgos” e silêncio (parada de respirar) Apneia Obstrutiva do Sono (AOS). É a indicação número um. A garganta fecha, falta oxigênio no cérebro e a pressão dispara.
Sonolência Excessiva Diurna (dormir sentado no trabalho, assistindo TV ou dirigindo) Fragmentação severa do sono. Pode indicar apneia grave ou Narcolepsia (doença onde o cérebro não controla a vigília).
Formigamento nas pernas ao deitar e necessidade incontrolável de mexê-las Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) e Movimentos Periódicos dos Membros (chutes durante o sono que acordam o cérebro).
Andar pela casa dormindo, falar muito ou agir agressivamente durante sonhos Parassonias (como Sonambulismo, Terror Noturno ou Transtorno Comportamental do Sono REM, que pode ser um sinal precoce de Parkinson).
Acordar com dor de cabeça, boca seca e sensação de que “um trator passou por cima” Sinal clássico de que o cérebro não atingiu o sono profundo restaurador devido às quedas de oxigênio noturnas.

O Grande Vilão: A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS)

A descoberta mais comum na polissonografia é a Apneia. Quando você dorme, os músculos da garganta relaxam. Em pessoas com apneia (especialmente quem está acima do peso ou tem pescoço largo), essa musculatura relaxa tanto que “desaba”, bloqueando totalmente a passagem de ar. O paciente tenta respirar, mas a garganta está fechada.

O oxigênio no sangue despenca (de 98% para 70%, por exemplo). O cérebro entra em pânico, dispara adrenalina e dá um “choque” no corpo para a pessoa acordar e voltar a respirar (o famoso engasgo). O problema é que a pessoa volta a dormir imediatamente e esquece que engasgou. Esse ciclo de sufocamento > adrenalina > engasgo pode se repetir 30, 40 ou até 80 vezes por hora!

As consequências a longo prazo são catastróficas: a pressão alta noturna gera altíssimo risco de Infarto Fulminante, Arritmias e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Tipos de Polissonografia

O neurologista ou médico do sono pode solicitar diferentes “versões” do exame, dependendo da sua suspeita clínica:

1. Polissonografia Basal (Noite Inteira)

É o exame diagnóstico puro. Você dorme a noite toda na clínica e o aparelho apenas grava tudo o que acontece para gerar o laudo e quantificar quantas apneias você tem por hora.

2. Polissonografia “Split-Night” (Meia Noite com CPAP)

É um exame de diagnóstico e tratamento na mesma noite. Nas primeiras horas, o técnico grava o seu sono para confirmar a apneia grave. No meio da madrugada, ele entra no quarto e coloca uma máscara de ar no seu rosto, chamada CPAP. O aparelho de CPAP sopra um ar suave que “abre” a sua garganta à força. No restante da noite, o técnico ajusta a pressão do ar ideal para zerar os seus roncos e engasgos, para que você possa comprar o aparelho e usar em casa.

3. Polissonografia Domiciliar (Tipo III ou IV)

Para pacientes que têm pavor de dormir fora de casa ou suspeita de apneia mais leve, existem aparelhos portáteis simplificados. O paciente leva uma maleta para casa, coloca o oxímetro no dedo, a cinta no peito e o cateter no nariz, e dorme na própria cama. Ele não mede as ondas cerebrais (EEG), mas é muito eficiente para confirmar apneias simples em pacientes de baixo risco.

Como se preparar para a Polissonografia na Clínica?

A precisão do exame depende do quanto o seu sono se parecerá com uma noite comum e de como os eletrodos colarão na sua pele. Siga esse check-list no dia do exame:

  1. Lavar os cabelos apenas com shampoo: Exatamente como no preparo do Eletroencefalograma, você não deve usar condicionador, cremes, géis ou óleos. O couro cabeludo precisa estar muito limpo e seco para que os sensores cerebrais não soltem de madrugada.
  2. Cuidado com a Barba e Esmaltes: Homens não precisam raspar a barba, mas ela deve estar limpa e sem óleos. Mulheres (ou homens) não devem usar unhas postiças grossas de gel ou esmaltes escuros no dedo indicador, pois isso bloqueia o laser do oxímetro que mede o oxigênio do sangue.
  3. Corte a Cafeína: A partir das 12h (meio-dia) do dia do exame, não consuma NADA de café, chá preto, chimarrão, energéticos, refrigerantes de cola ou chocolates escuros.
  4. Não tente ficar exausto: Não mude a sua rotina no dia do exame. Não tire cochilos à tarde, mas também não tente ficar acordado de propósito na noite anterior (como se faz no EEG com privação de sono). Queremos ver uma noite de sono normal.
  5. O que levar na mala: Leve o seu travesseiro de casa (isso ajuda muito na adaptação), pijamas confortáveis (preferencialmente de botão na frente ou blusas largas, pois o peito estará cheio de fios), itens de higiene pessoal (escova de dente) e os medicamentos que você usa rotineiramente.

Perguntas Frequentes sobre Polissonografia (FAQ)

1. E se eu não conseguir dormir com tantos fios?

É a dúvida número um! Quase 100% dos pacientes relatam essa ansiedade. A verdade é que os fios são muito finos, leves e são “amarrados” de forma que não te enforcam. Todo mundo demora um pouco mais para pegar no sono no ambiente da clínica, mas a imensa maioria dos pacientes dorme tempo suficiente (4 a 6 horas) para gerar um laudo perfeito. Se for estritamente necessário, o médico pode receitar um indutor de sono leve na hora.

2. Posso ir ao banheiro de madrugada?

Sim. O aparelho principal (o computador) costuma ficar em uma caixinha no seu peito, conectada por um único cabo longo à parede. Se você precisar ir ao banheiro (que fica dentro do próprio quarto), você acena para a câmera infravermelha. O técnico entra no quarto, desconecta esse cabo único e você vai ao banheiro com a caixinha pendurada no pescoço, sem precisar tirar nenhum adesivo.

3. A polissonografia dá choque ou fura a pele?

O exame é 100% indolor. Não usamos agulhas e nenhum dos sensores emite eletricidade para o corpo. Eles apenas “escutam” e medem dados corporais (como um termômetro faz). Apenas uma pasta adesiva ou fitas cirúrgicas (esparadrapo antialérgico) são usadas para fixar os sensores na pele.

4. Devo tomar meu remédio para dormir (tarja preta) no dia do exame?

Você só deve tomar se o seu médico mandar. O ideal é que o médico seja consultado antes. Alguns sedativos (como clonazepam/Rivotril ou zolpidem) alteram completamente a arquitetura (as ondas) do sono profundo e relaxam a garganta, podendo “mascarar” o problema ou criar apneias que você não teria normalmente. A ordem sobre os remédios é sempre individual.

5. Meu parceiro pode dormir comigo no quarto da clínica?

Não. Você terá um quarto privativo, mas acompanhantes não podem dormir no mesmo ambiente para não interferir na captação de sons do microfone (como roncos cruzados) ou nos sensores de movimento da cama. A exceção é para exames pediátricos (crianças), onde o pai ou a mãe dorme em uma cama ao lado ou poltrona no mesmo quarto.


Referências Bibliográficas

  • Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS). Diretrizes Brasileiras para o Diagnóstico e Tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono.
  • Kapur VK, et al. Clinical Practice Guideline for Diagnostic Testing for Adult Obstructive Sleep Apnea: An American Academy of Sleep Medicine Clinical Practice Guideline. J Clin Sleep Med. 2017.
  • Berry RB, et al. Rules for scoring respiratory events in sleep: update of the 2007 AASM Manual for the Scoring of Sleep and Associated Events. J Clin Sleep Med. 2012.
  • Kryger MH, Roth T, Dement WC. Principles and Practice of Sleep Medicine. 6th ed. Elsevier; 2017.
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A Polissonografia, também conhecida como “Estudo do Sono”, é um exame neurológico e respiratório completo que monitora as ondas cerebrais, os níveis de oxigênio no sangue, a frequência cardíaca, a respiração e os movimentos do corpo durante uma noite inteira de descanso. A sua realização é a ferramenta padrão-ouro (definitiva) para diagnosticar distúrbios graves que destroem a qualidade de vida, como a Apneia Obstrutiva do Sono, a Síndrome das Pernas Inquietas, o sonambulismo e a insônia crônica severa.

Dormir deveria ser o momento mais reparador do dia, uma pausa onde o corpo se conserta e o cérebro organiza as memórias. No entanto, para milhões de brasileiros, a noite é um campo de batalha invisível. O paciente ronca alto, para de respirar (engasga), acorda com o coração acelerado e passa o dia seguinte inteiro arrastando-se de cansaço, com risco iminente de dormir no volante ou sofrer um infarto.

Na CNCB, sob a revisão técnica do Dr. Marco Antonio Passos, sabemos que a ideia de “dormir em uma clínica cheio de fios colados na cabeça” gera muita desconfiança. *”Como vou conseguir dormir em uma cama estranha sendo vigiado?”*. Como explicamos em nosso guia central sobre Exames Neurológicos, o conforto do paciente é a nossa prioridade. As salas de polissonografia são projetadas para parecerem quartos de hotel aconchegantes. Este artigo vai desmistificar o exame, explicar para que servem todos aqueles sensores e mostrar como uma única noite monitorada pode adicionar décadas de saúde à sua vida.

O que a Polissonografia “assiste” enquanto você dorme?

O objetivo do exame é entender a arquitetura do seu sono. O sono normal tem ciclos (Fase Leve, Fase Profunda e a Fase REM, que é quando sonhamos). Para mapear tudo isso sem furar ou machucar o paciente, o técnico do sono utiliza um conjunto de biossensores indolores:

  • No couro cabeludo (EEG): Eletrodos medem as ondas cerebrais para saber exatamente em qual fase do sono você está e se o cérebro está despertando toda hora sem você perceber (microdespertares).
  • No rosto (EOG e EMG): Sensores perto dos olhos medem o movimento ocular (para identificar o sono REM) e sensores no queixo medem o relaxamento do músculo (se você range os dentes – bruxismo).
  • No peito e barriga: Faixas elásticas macias são colocadas ao redor do tórax e do abdômen para medir o esforço que você faz para puxar o ar.
  • No nariz: Uma cânula fina (como um óculos de oxigênio de hospital, mas sem jogar ar) mede o fluxo da sua respiração e detecta o ronco.
  • No dedo (Oxímetro): Um clipe com uma luz vermelha mede a quantidade de oxigênio no seu sangue e seus batimentos cardíacos.
  • Nas pernas: Sensores nas panturrilhas flagram movimentos e chutes involuntários durante a madrugada.

Sinais de Alerta: Quando o médico pede o Exame do Sono?

A polissonografia não é pedida para quem teve “uma noite ruim”. Ela é indicada quando os sintomas se tornam crônicos e afetam a saúde do coração e do cérebro. Veja as principais indicações clínicas:

Sintoma / Queixa O que o exame tenta descobrir? (Doenças)
Ronco muito alto seguido de “engasgos” e silêncio (parada de respirar) Apneia Obstrutiva do Sono (AOS). É a indicação número um. A garganta fecha, falta oxigênio no cérebro e a pressão dispara.
Sonolência Excessiva Diurna (dormir sentado no trabalho, assistindo TV ou dirigindo) Fragmentação severa do sono. Pode indicar apneia grave ou Narcolepsia (doença onde o cérebro não controla a vigília).
Formigamento nas pernas ao deitar e necessidade incontrolável de mexê-las Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) e Movimentos Periódicos dos Membros (chutes durante o sono que acordam o cérebro).
Andar pela casa dormindo, falar muito ou agir agressivamente durante sonhos Parassonias (como Sonambulismo, Terror Noturno ou Transtorno Comportamental do Sono REM, que pode ser um sinal precoce de Parkinson).
Acordar com dor de cabeça, boca seca e sensação de que “um trator passou por cima” Sinal clássico de que o cérebro não atingiu o sono profundo restaurador devido às quedas de oxigênio noturnas.

O Grande Vilão: A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS)

A descoberta mais comum na polissonografia é a Apneia. Quando você dorme, os músculos da garganta relaxam. Em pessoas com apneia (especialmente quem está acima do peso ou tem pescoço largo), essa musculatura relaxa tanto que “desaba”, bloqueando totalmente a passagem de ar. O paciente tenta respirar, mas a garganta está fechada.

O oxigênio no sangue despenca (de 98% para 70%, por exemplo). O cérebro entra em pânico, dispara adrenalina e dá um “choque” no corpo para a pessoa acordar e voltar a respirar (o famoso engasgo). O problema é que a pessoa volta a dormir imediatamente e esquece que engasgou. Esse ciclo de sufocamento > adrenalina > engasgo pode se repetir 30, 40 ou até 80 vezes por hora!

As consequências a longo prazo são catastróficas: a pressão alta noturna gera altíssimo risco de Infarto Fulminante, Arritmias e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Tipos de Polissonografia

O neurologista ou médico do sono pode solicitar diferentes “versões” do exame, dependendo da sua suspeita clínica:

1. Polissonografia Basal (Noite Inteira)

É o exame diagnóstico puro. Você dorme a noite toda na clínica e o aparelho apenas grava tudo o que acontece para gerar o laudo e quantificar quantas apneias você tem por hora.

2. Polissonografia “Split-Night” (Meia Noite com CPAP)

É um exame de diagnóstico e tratamento na mesma noite. Nas primeiras horas, o técnico grava o seu sono para confirmar a apneia grave. No meio da madrugada, ele entra no quarto e coloca uma máscara de ar no seu rosto, chamada CPAP. O aparelho de CPAP sopra um ar suave que “abre” a sua garganta à força. No restante da noite, o técnico ajusta a pressão do ar ideal para zerar os seus roncos e engasgos, para que você possa comprar o aparelho e usar em casa.

3. Polissonografia Domiciliar (Tipo III ou IV)

Para pacientes que têm pavor de dormir fora de casa ou suspeita de apneia mais leve, existem aparelhos portáteis simplificados. O paciente leva uma maleta para casa, coloca o oxímetro no dedo, a cinta no peito e o cateter no nariz, e dorme na própria cama. Ele não mede as ondas cerebrais (EEG), mas é muito eficiente para confirmar apneias simples em pacientes de baixo risco.

Como se preparar para a Polissonografia na Clínica?

A precisão do exame depende do quanto o seu sono se parecerá com uma noite comum e de como os eletrodos colarão na sua pele. Siga esse check-list no dia do exame:

  1. Lavar os cabelos apenas com shampoo: Exatamente como no preparo do Eletroencefalograma, você não deve usar condicionador, cremes, géis ou óleos. O couro cabeludo precisa estar muito limpo e seco para que os sensores cerebrais não soltem de madrugada.
  2. Cuidado com a Barba e Esmaltes: Homens não precisam raspar a barba, mas ela deve estar limpa e sem óleos. Mulheres (ou homens) não devem usar unhas postiças grossas de gel ou esmaltes escuros no dedo indicador, pois isso bloqueia o laser do oxímetro que mede o oxigênio do sangue.
  3. Corte a Cafeína: A partir das 12h (meio-dia) do dia do exame, não consuma NADA de café, chá preto, chimarrão, energéticos, refrigerantes de cola ou chocolates escuros.
  4. Não tente ficar exausto: Não mude a sua rotina no dia do exame. Não tire cochilos à tarde, mas também não tente ficar acordado de propósito na noite anterior (como se faz no EEG com privação de sono). Queremos ver uma noite de sono normal.
  5. O que levar na mala: Leve o seu travesseiro de casa (isso ajuda muito na adaptação), pijamas confortáveis (preferencialmente de botão na frente ou blusas largas, pois o peito estará cheio de fios), itens de higiene pessoal (escova de dente) e os medicamentos que você usa rotineiramente.

Perguntas Frequentes sobre Polissonografia (FAQ)

1. E se eu não conseguir dormir com tantos fios?

É a dúvida número um! Quase 100% dos pacientes relatam essa ansiedade. A verdade é que os fios são muito finos, leves e são “amarrados” de forma que não te enforcam. Todo mundo demora um pouco mais para pegar no sono no ambiente da clínica, mas a imensa maioria dos pacientes dorme tempo suficiente (4 a 6 horas) para gerar um laudo perfeito. Se for estritamente necessário, o médico pode receitar um indutor de sono leve na hora.

2. Posso ir ao banheiro de madrugada?

Sim. O aparelho principal (o computador) costuma ficar em uma caixinha no seu peito, conectada por um único cabo longo à parede. Se você precisar ir ao banheiro (que fica dentro do próprio quarto), você acena para a câmera infravermelha. O técnico entra no quarto, desconecta esse cabo único e você vai ao banheiro com a caixinha pendurada no pescoço, sem precisar tirar nenhum adesivo.

3. A polissonografia dá choque ou fura a pele?

O exame é 100% indolor. Não usamos agulhas e nenhum dos sensores emite eletricidade para o corpo. Eles apenas “escutam” e medem dados corporais (como um termômetro faz). Apenas uma pasta adesiva ou fitas cirúrgicas (esparadrapo antialérgico) são usadas para fixar os sensores na pele.

4. Devo tomar meu remédio para dormir (tarja preta) no dia do exame?

Você só deve tomar se o seu médico mandar. O ideal é que o médico seja consultado antes. Alguns sedativos (como clonazepam/Rivotril ou zolpidem) alteram completamente a arquitetura (as ondas) do sono profundo e relaxam a garganta, podendo “mascarar” o problema ou criar apneias que você não teria normalmente. A ordem sobre os remédios é sempre individual.

5. Meu parceiro pode dormir comigo no quarto da clínica?

Não. Você terá um quarto privativo, mas acompanhantes não podem dormir no mesmo ambiente para não interferir na captação de sons do microfone (como roncos cruzados) ou nos sensores de movimento da cama. A exceção é para exames pediátricos (crianças), onde o pai ou a mãe dorme em uma cama ao lado ou poltrona no mesmo quarto.


Referências Bibliográficas

  • Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS). Diretrizes Brasileiras para o Diagnóstico e Tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono.
  • Kapur VK, et al. Clinical Practice Guideline for Diagnostic Testing for Adult Obstructive Sleep Apnea: An American Academy of Sleep Medicine Clinical Practice Guideline. J Clin Sleep Med. 2017.
  • Berry RB, et al. Rules for scoring respiratory events in sleep: update of the 2007 AASM Manual for the Scoring of Sleep and Associated Events. J Clin Sleep Med. 2012.
  • Kryger MH, Roth T, Dement WC. Principles and Practice of Sleep Medicine. 6th ed. Elsevier; 2017.
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