Os exames neurológicos são um conjunto de avaliações clínicas, de imagem, elétricas e cognitivas utilizadas para investigar, diagnosticar e monitorar doenças que afetam o Sistema Nervoso Central (cérebro e medula espinhal) e o Sistema Nervoso Periférico (nervos e músculos). A realização desses exames é indicada quando o paciente apresenta sintomas de alerta, como dores de cabeça intensas, formigamentos crônicos, convulsões, tremores, tonturas inexplicáveis ou perda progressiva de memória, permitindo ao neurologista diferenciar condições benignas de quadros graves como AVC, Esclerose Múltipla ou Alzheimer.O cérebro humano é, muitas vezes, visto como a “caixa-preta” do nosso corpo. Quando algo falha na nossa capacidade de pensar, mover, sentir ou lembrar, o medo se instala quase que instantaneamente. Ouvir do médico a frase *”precisaremos fazer alguns exames neurológicos”* costuma gerar no paciente um misto de ansiedade e pavor. O medo não é apenas do diagnóstico, mas do próprio exame: *”Vou entrar em um tubo apertado?”, “Vou tomar choque?”, “Dói?”*.Na prática diária da CNCB, sob a direção e revisão técnica do Dr. Marco Antonio Passos, entendemos que a informação é o melhor calmante. A neurologia moderna evoluiu drasticamente. Hoje, temos à disposição tecnologias fascinantes que conseguem mapear o fluxo de sangue no cérebro, registrar a eletricidade dos neurônios e testar a memória sem causar sofrimento. Este guia completo foi criado para ser o seu manual de navegação. Aqui, vamos traduzir o “mediquês”, explicar passo a passo como cada exame funciona e provar que a investigação neurológica é a sua maior aliada para uma vida longa e com qualidade.


O Primeiro Passo: O Exame Neurológico Clínico (No Consultório)

Muitos pacientes chegam à clínica querendo ir direto para a máquina de Ressonância Magnética. No entanto, na Neurologia, a máquina é apenas um complemento. Tudo começa no consultório, com o exame físico neurológico. É através de testes que parecem simples que o neurologista descobre em qual parte exata do cérebro ou da medula o problema está escondido.

Durante a consulta, o médico irá avaliar diferentes “sistemas” do seu corpo:

  • Estado Mental e Fala: O médico fará perguntas simples sobre onde você está, a data atual e pedirá para repetir palavras. Isso testa a cognição e a linguagem.
  • Nervos Cranianos: Testes de visão, movimento dos olhos, audição, capacidade de engolir e simetria do rosto (sorrir, franzir a testa).
  • Força Motora e Tônus: Você precisará apertar os dedos do médico, empurrar as mãos dele com as pernas e braços para avaliar se há fraqueza muscular de um lado do corpo.
  • Reflexos: O famoso teste com o martelinho de borracha nos joelhos e cotovelos. Ele mostra se a “fiação” entre a medula e o músculo está intacta ou super-reativa.
  • Coordenação e Equilíbrio: Pedir para você tocar a ponta do nariz com o dedo de olhos fechados, ou caminhar em linha reta encostando o calcanhar na ponta do pé (teste de marcha).
  • Sensibilidade: Testes com um algodão, um diapasão (que vibra) ou um palito sem ponta nas pernas e braços, para ver se você sente toques leves, dor e temperatura.

Com essas informações em mãos, o neurologista sabe exatamente qual exame complementar pedir. Nunca pule a avaliação clínica.

Sintomas de Alerta: Quando a investigação profunda é necessária?

Todos nós sentimos uma dor de cabeça esporádica ou esquecemos onde deixamos a chave do carro. Mas quando esses sintomas se tornam crônicos ou aparecem de forma súbita e violenta, o corpo está emitindo bandeiras vermelhas (Red Flags). Você precisará de exames neurológicos se apresentar:

Sintoma Apresentado O que pode indicar? (Suspeita Médica)
Dor de Cabeça (Cefaleia) Súbita e Explosiva A pior dor da vida, que atinge o pico em segundos, pode ser o rompimento de um aneurisma cerebral (Hemorragia).
Formigamento crônico e perda de força em uma perna/braço Compressão de nervos na coluna (hérnia de disco) ou neuropatia periférica (comum em diabéticos).
Desmaios seguidos de tremores (Apagões) Crises convulsivas ou epilepsia de início tardio, precisando mapear as ondas do cérebro.
Boca torta, dificuldade para falar e fraqueza de um lado Sinais clássicos de um Acidente Vascular Cerebral (AVC / Derrame) em andamento. Emergência imediata.
Esquecimento severo de fatos recentes e confusão Início de declínio cognitivo ou quadros de demência (como a Doença de Alzheimer).

1. Exames de Imagem: Fotografando a Anatomia do Cérebro

Quando o médico precisa “ver” a estrutura física do cérebro, se há sangramentos, tumores ou encolhimento (atrofia), ele recorre à radiologia.

Tomografia Computadorizada (TC) do Crânio

A tomografia é o exame da urgência. É como um Raio-X em 3D. O aparelho tem o formato de uma “rosquinha” larga, é super rápido (dura de 2 a 5 minutos) e não causa claustrofobia. É o primeiro exame pedido no pronto-socorro quando o paciente chega com suspeita de AVC ou traumatismo craniano, pois mostra com clareza ossos quebrados e hemorragias agudas.

Ressonância Magnética (RM) do Crânio

É o padrão-ouro da neurologia ambulatorial. Não usa radiação, usa um campo magnético potente. Ela produz imagens com um nível de detalhe impressionante, conseguindo ver inflamações nos nervos, tumores minúsculos, isquemias cerebrais antigas e lesões de Esclerose Múltipla.
Atenção: O aparelho é um tubo longo e estreito. O exame é demorado (20 a 40 minutos) e a máquina faz barulhos altos de batidas. Se você sofre de claustrofobia (medo de lugares fechados), o exame pode ser feito com sedação. Temos um artigo completo sobre a diferença entre as duas: Ressonância Magnética e Tomografia: Indicações e Fobias.

2. Exames Neurofisiológicos: Medindo a Eletricidade

O nosso sistema nervoso funciona à base de pequenos choques elétricos. Quando a estrutura do cérebro e dos nervos está normal, mas a “fiação” está em curto-circuito, usamos exames específicos.

Eletroencefalograma (EEG)

Avalia a atividade elétrica contínua do cérebro (as ondas cerebrais). É um exame 100% indolor. Uma touca com dezenas de pequenos eletrodos é colocada na cabeça do paciente (com a ajuda de um gel condutor). É o exame fundamental para diagnosticar convulsões e epilepsia. Durante o exame, o técnico pode usar luzes piscantes (fotoestimulação) ou pedir para o paciente respirar muito rápido (hiperventilação) para ver como o cérebro reage. Entenda como se preparar no artigo Eletroencefalograma (EEG): Como é feito?.

Eletroneuromiografia (ENMG)

Este é o exame mais temido, mas essencial para quem sofre com formigamentos, dor na coluna que irradia para a perna (ciático), fraqueza muscular ou Síndrome do Túnel do Carpo. Ele avalia se os nervos periféricos estão conduzindo a informação corretamente e se o músculo está respondendo. O exame tem duas fases: pequenos estímulos elétricos (“choquinhos” suportáveis na pele) e o uso de uma microagulha em alguns músculos. Para acabar com o medo e entender a importância clínica, leia Eletroneuromiografia dói? Tudo sobre o exame dos nervos.

3. O Sono, o Sangue e a Memória

Polissonografia (O Exame do Sono)

A neurologia do sono é uma área vasta. Se você tem insônia severa, síndrome das pernas inquietas ou ronca muito e acorda engasgado, precisará dormir uma noite na clínica. A Polissonografia monitora suas ondas cerebrais, respiração, oxigênio, movimento dos olhos e batimentos enquanto você dorme, sendo crucial para diagnosticar a Apneia do Sono. Descubra os detalhes em Polissonografia: O Exame do Sono para Apneia e Insônia.

Doppler de Carótidas e Transcraniano

Prevenção pura. É um ultrassom comum, feito no pescoço (Carótidas) ou na lateral da cabeça (Transcraniano). Ele mede a velocidade e a quantidade de sangue que está subindo para o cérebro, detectando placas de gordura que poderiam se soltar e causar um derrame. É indolor, rápido e salva vidas. Leia mais sobre Doppler e Prevenção de AVC.

Avaliação Neuropsicológica

Não usa agulhas, tubos ou choque. É um mapeamento profundo feito através de testes, questionários, desenhos e jogos lógicos em consultório. Aplicado por um especialista, ele testa a memória, o foco, a atenção, a linguagem e o raciocínio. É a ferramenta mais poderosa para diferenciar o envelhecimento natural do cérebro de uma Doença de Alzheimer no início, além de diagnosticar o TDAH em adultos.

4. A Punção Lombar (Exame do Líquor)

Deixamos este exame para uma seção separada devido ao medo que ele desperta. O cérebro e a medula espinhal “boiam” em um líquido chamado Líquido Cefalorraquidiano (Líquor). Se há uma infecção grave (como Meningite ou Encefalite), inflamação autoimune ou suspeita de hemorragia específica, o médico precisará analisar esse líquido.

A Punção Lombar é feita com o paciente deitado de lado ou sentado, curvado para a frente. O médico aplica anestesia local nas costas e insere uma agulha muito fina entre as vértebras da coluna lombar para gotejar e colher alguns mililitros do líquido. Com o uso de anestesia, o procedimento é muito mais desconfortável emocionalmente do que doloroso fisicamente. O repouso nas horas seguintes é fundamental para evitar a cefaleia (dor de cabeça) pós-punção.


Perguntas Frequentes sobre Exames Neurológicos (FAQ)

1. Exames neurológicos doem?

A imensa maioria dos exames (como Ressonância, Tomografia, Doppler, EEG e Polissonografia) é completamente indolor, sem nenhum corte ou agulha. A exceção principal é a Eletroneuromiografia (que causa desconforto pela sensação de “choquinhos” e a picada da microagulha) e a Punção Lombar, que utiliza anestesia local para minimizar a dor.

2. Preciso estar em jejum para fazer os exames?

Depende do exame. Para o Eletroencefalograma (EEG), não se deve fazer jejum (pois a hipoglicemia altera as ondas cerebrais). Já para a Tomografia ou Ressonância Magnética, caso o médico solicite o uso de contraste (na veia), será exigido um jejum prévio de 4 a 6 horas por questões de segurança (risco de enjoos).

3. Grávidas podem fazer exames na cabeça?

O exame clínico, Eletroencefalograma, Doppler e Avaliação Neuropsicológica são 100% seguros. A Ressonância Magnética pode ser feita após o primeiro trimestre (mas geralmente sem contraste). A Tomografia Computadorizada utiliza radiação e, portanto, é contraindicada na gravidez, sendo feita apenas em casos de extrema emergência e risco de morte para a mãe, com proteção de chumbo na barriga.

4. Qual é o melhor exame para descobrir Alzheimer?

O diagnóstico do Alzheimer é clínico. Não existe um único exame de sangue ou imagem que decrete “você tem Alzheimer”. O processo envolve a Avaliação Neuropsicológica (para atestar a perda cognitiva), aliada à Ressonância Magnética (para descartar tumores ou AVCs ocultos e verificar a atrofia do hipocampo).

5. O que significa “com contraste” na ressonância?

O contraste é um líquido injetado na veia durante o exame (na ressonância, usa-se o Gadolínio; na tomografia, o Iodo). Esse líquido “ilumina” os vasos sanguíneos e facilita muito a visualização de inflamações agudas, esclerose múltipla e tumores cerebrais, que ficam “acesos” na imagem final.

6. Preciso lavar a cabeça para fazer o Eletroencefalograma?

Sim. É exigido que o paciente lave os cabelos apenas com shampoo (sem condicionador, cremes, óleos ou gel) na noite anterior ou no dia do exame e compareça com o cabelo totalmente seco. A gordura e os cremes impedem que o eletrodo cole no couro cabeludo e capte a eletricidade do cérebro com clareza.

7. Tenho pinos metálicos no corpo. Posso fazer Ressonância?

A ressonância magnética é um ímã gigante. Pinos ortopédicos recentes de titânio, implantes dentários e aparelhos ortodônticos geralmente não são atraídos pelo ímã, mas podem distorcer a imagem se estiverem na cabeça. No entanto, marca-passos antigos, clipes de aneurisma antigos e fragmentos de bala de arma de fogo são contraindicações absolutas. O médico radiologista sempre avaliará o material antes.

8. Tontura forte pode ser problema neurológico?

Sim. Embora a maioria das tonturas tenha origem no ouvido interno (labirintite, VPPB), tonturas súbitas e intensas, acompanhadas de dificuldade para falar, engolir ou andar, podem ser o sintoma de um AVC na parte posterior do cérebro (cerebelo ou tronco cerebral), exigindo exames de imagem urgentes.

9. O que o Mapeamento Cerebral tem de diferente do Eletroencefalograma comum?

O Mapeamento Cerebral (ou EEG Quantitativo) é a versão computadorizada e processada do EEG comum. Um software pega as ondas elétricas captadas, faz cálculos matemáticos e gera “mapas coloridos” do cérebro, facilitando a identificação de áreas que estão hiperativas ou muito lentificadas.

10. Por que me pediram Eletroneuromiografia para os dois braços se só um formiga?

Porque o exame precisa de um “parâmetro de normalidade” que é você mesmo. O médico avalia primeiro o nervo do braço bom para ver como o seu corpo conduz a eletricidade naturalmente, e depois compara esses dados matematicamente com o nervo do braço que está doente (formigando), confirmando a lesão (como na Síndrome do Túnel do Carpo).


Referências Bibliográficas

  • Gagliardi RJ, Takayanagui OM. Tratado de Neurologia da Academia Brasileira de Neurologia. 2ª ed. Elsevier; 2019.
  • Campbell WW. DeJong’s The Neurologic Examination. 7th ed. Lippincott Williams & Wilkins; 2012.
  • American Academy of Neurology (AAN). Practice Guidelines and Diagnostic Testing in Neurology.
  • Brazis PW, Masdeu JC, Biller J. Localization in Clinical Neurology. 7th ed. LWW; 2016.
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Os exames neurológicos são um conjunto de avaliações clínicas, de imagem, elétricas e cognitivas utilizadas para investigar, diagnosticar e monitorar doenças que afetam o Sistema Nervoso Central (cérebro e medula espinhal) e o Sistema Nervoso Periférico (nervos e músculos). A realização desses exames é indicada quando o paciente apresenta sintomas de alerta, como dores de cabeça intensas, formigamentos crônicos, convulsões, tremores, tonturas inexplicáveis ou perda progressiva de memória, permitindo ao neurologista diferenciar condições benignas de quadros graves como AVC, Esclerose Múltipla ou Alzheimer.O cérebro humano é, muitas vezes, visto como a “caixa-preta” do nosso corpo. Quando algo falha na nossa capacidade de pensar, mover, sentir ou lembrar, o medo se instala quase que instantaneamente. Ouvir do médico a frase *”precisaremos fazer alguns exames neurológicos”* costuma gerar no paciente um misto de ansiedade e pavor. O medo não é apenas do diagnóstico, mas do próprio exame: *”Vou entrar em um tubo apertado?”, “Vou tomar choque?”, “Dói?”*.Na prática diária da CNCB, sob a direção e revisão técnica do Dr. Marco Antonio Passos, entendemos que a informação é o melhor calmante. A neurologia moderna evoluiu drasticamente. Hoje, temos à disposição tecnologias fascinantes que conseguem mapear o fluxo de sangue no cérebro, registrar a eletricidade dos neurônios e testar a memória sem causar sofrimento. Este guia completo foi criado para ser o seu manual de navegação. Aqui, vamos traduzir o “mediquês”, explicar passo a passo como cada exame funciona e provar que a investigação neurológica é a sua maior aliada para uma vida longa e com qualidade.


O Primeiro Passo: O Exame Neurológico Clínico (No Consultório)

Muitos pacientes chegam à clínica querendo ir direto para a máquina de Ressonância Magnética. No entanto, na Neurologia, a máquina é apenas um complemento. Tudo começa no consultório, com o exame físico neurológico. É através de testes que parecem simples que o neurologista descobre em qual parte exata do cérebro ou da medula o problema está escondido.

Durante a consulta, o médico irá avaliar diferentes “sistemas” do seu corpo:

  • Estado Mental e Fala: O médico fará perguntas simples sobre onde você está, a data atual e pedirá para repetir palavras. Isso testa a cognição e a linguagem.
  • Nervos Cranianos: Testes de visão, movimento dos olhos, audição, capacidade de engolir e simetria do rosto (sorrir, franzir a testa).
  • Força Motora e Tônus: Você precisará apertar os dedos do médico, empurrar as mãos dele com as pernas e braços para avaliar se há fraqueza muscular de um lado do corpo.
  • Reflexos: O famoso teste com o martelinho de borracha nos joelhos e cotovelos. Ele mostra se a “fiação” entre a medula e o músculo está intacta ou super-reativa.
  • Coordenação e Equilíbrio: Pedir para você tocar a ponta do nariz com o dedo de olhos fechados, ou caminhar em linha reta encostando o calcanhar na ponta do pé (teste de marcha).
  • Sensibilidade: Testes com um algodão, um diapasão (que vibra) ou um palito sem ponta nas pernas e braços, para ver se você sente toques leves, dor e temperatura.

Com essas informações em mãos, o neurologista sabe exatamente qual exame complementar pedir. Nunca pule a avaliação clínica.

Sintomas de Alerta: Quando a investigação profunda é necessária?

Todos nós sentimos uma dor de cabeça esporádica ou esquecemos onde deixamos a chave do carro. Mas quando esses sintomas se tornam crônicos ou aparecem de forma súbita e violenta, o corpo está emitindo bandeiras vermelhas (Red Flags). Você precisará de exames neurológicos se apresentar:

Sintoma Apresentado O que pode indicar? (Suspeita Médica)
Dor de Cabeça (Cefaleia) Súbita e Explosiva A pior dor da vida, que atinge o pico em segundos, pode ser o rompimento de um aneurisma cerebral (Hemorragia).
Formigamento crônico e perda de força em uma perna/braço Compressão de nervos na coluna (hérnia de disco) ou neuropatia periférica (comum em diabéticos).
Desmaios seguidos de tremores (Apagões) Crises convulsivas ou epilepsia de início tardio, precisando mapear as ondas do cérebro.
Boca torta, dificuldade para falar e fraqueza de um lado Sinais clássicos de um Acidente Vascular Cerebral (AVC / Derrame) em andamento. Emergência imediata.
Esquecimento severo de fatos recentes e confusão Início de declínio cognitivo ou quadros de demência (como a Doença de Alzheimer).

1. Exames de Imagem: Fotografando a Anatomia do Cérebro

Quando o médico precisa “ver” a estrutura física do cérebro, se há sangramentos, tumores ou encolhimento (atrofia), ele recorre à radiologia.

Tomografia Computadorizada (TC) do Crânio

A tomografia é o exame da urgência. É como um Raio-X em 3D. O aparelho tem o formato de uma “rosquinha” larga, é super rápido (dura de 2 a 5 minutos) e não causa claustrofobia. É o primeiro exame pedido no pronto-socorro quando o paciente chega com suspeita de AVC ou traumatismo craniano, pois mostra com clareza ossos quebrados e hemorragias agudas.

Ressonância Magnética (RM) do Crânio

É o padrão-ouro da neurologia ambulatorial. Não usa radiação, usa um campo magnético potente. Ela produz imagens com um nível de detalhe impressionante, conseguindo ver inflamações nos nervos, tumores minúsculos, isquemias cerebrais antigas e lesões de Esclerose Múltipla.
Atenção: O aparelho é um tubo longo e estreito. O exame é demorado (20 a 40 minutos) e a máquina faz barulhos altos de batidas. Se você sofre de claustrofobia (medo de lugares fechados), o exame pode ser feito com sedação. Temos um artigo completo sobre a diferença entre as duas: Ressonância Magnética e Tomografia: Indicações e Fobias.

2. Exames Neurofisiológicos: Medindo a Eletricidade

O nosso sistema nervoso funciona à base de pequenos choques elétricos. Quando a estrutura do cérebro e dos nervos está normal, mas a “fiação” está em curto-circuito, usamos exames específicos.

Eletroencefalograma (EEG)

Avalia a atividade elétrica contínua do cérebro (as ondas cerebrais). É um exame 100% indolor. Uma touca com dezenas de pequenos eletrodos é colocada na cabeça do paciente (com a ajuda de um gel condutor). É o exame fundamental para diagnosticar convulsões e epilepsia. Durante o exame, o técnico pode usar luzes piscantes (fotoestimulação) ou pedir para o paciente respirar muito rápido (hiperventilação) para ver como o cérebro reage. Entenda como se preparar no artigo Eletroencefalograma (EEG): Como é feito?.

Eletroneuromiografia (ENMG)

Este é o exame mais temido, mas essencial para quem sofre com formigamentos, dor na coluna que irradia para a perna (ciático), fraqueza muscular ou Síndrome do Túnel do Carpo. Ele avalia se os nervos periféricos estão conduzindo a informação corretamente e se o músculo está respondendo. O exame tem duas fases: pequenos estímulos elétricos (“choquinhos” suportáveis na pele) e o uso de uma microagulha em alguns músculos. Para acabar com o medo e entender a importância clínica, leia Eletroneuromiografia dói? Tudo sobre o exame dos nervos.

3. O Sono, o Sangue e a Memória

Polissonografia (O Exame do Sono)

A neurologia do sono é uma área vasta. Se você tem insônia severa, síndrome das pernas inquietas ou ronca muito e acorda engasgado, precisará dormir uma noite na clínica. A Polissonografia monitora suas ondas cerebrais, respiração, oxigênio, movimento dos olhos e batimentos enquanto você dorme, sendo crucial para diagnosticar a Apneia do Sono. Descubra os detalhes em Polissonografia: O Exame do Sono para Apneia e Insônia.

Doppler de Carótidas e Transcraniano

Prevenção pura. É um ultrassom comum, feito no pescoço (Carótidas) ou na lateral da cabeça (Transcraniano). Ele mede a velocidade e a quantidade de sangue que está subindo para o cérebro, detectando placas de gordura que poderiam se soltar e causar um derrame. É indolor, rápido e salva vidas. Leia mais sobre Doppler e Prevenção de AVC.

Avaliação Neuropsicológica

Não usa agulhas, tubos ou choque. É um mapeamento profundo feito através de testes, questionários, desenhos e jogos lógicos em consultório. Aplicado por um especialista, ele testa a memória, o foco, a atenção, a linguagem e o raciocínio. É a ferramenta mais poderosa para diferenciar o envelhecimento natural do cérebro de uma Doença de Alzheimer no início, além de diagnosticar o TDAH em adultos.

4. A Punção Lombar (Exame do Líquor)

Deixamos este exame para uma seção separada devido ao medo que ele desperta. O cérebro e a medula espinhal “boiam” em um líquido chamado Líquido Cefalorraquidiano (Líquor). Se há uma infecção grave (como Meningite ou Encefalite), inflamação autoimune ou suspeita de hemorragia específica, o médico precisará analisar esse líquido.

A Punção Lombar é feita com o paciente deitado de lado ou sentado, curvado para a frente. O médico aplica anestesia local nas costas e insere uma agulha muito fina entre as vértebras da coluna lombar para gotejar e colher alguns mililitros do líquido. Com o uso de anestesia, o procedimento é muito mais desconfortável emocionalmente do que doloroso fisicamente. O repouso nas horas seguintes é fundamental para evitar a cefaleia (dor de cabeça) pós-punção.


Perguntas Frequentes sobre Exames Neurológicos (FAQ)

1. Exames neurológicos doem?

A imensa maioria dos exames (como Ressonância, Tomografia, Doppler, EEG e Polissonografia) é completamente indolor, sem nenhum corte ou agulha. A exceção principal é a Eletroneuromiografia (que causa desconforto pela sensação de “choquinhos” e a picada da microagulha) e a Punção Lombar, que utiliza anestesia local para minimizar a dor.

2. Preciso estar em jejum para fazer os exames?

Depende do exame. Para o Eletroencefalograma (EEG), não se deve fazer jejum (pois a hipoglicemia altera as ondas cerebrais). Já para a Tomografia ou Ressonância Magnética, caso o médico solicite o uso de contraste (na veia), será exigido um jejum prévio de 4 a 6 horas por questões de segurança (risco de enjoos).

3. Grávidas podem fazer exames na cabeça?

O exame clínico, Eletroencefalograma, Doppler e Avaliação Neuropsicológica são 100% seguros. A Ressonância Magnética pode ser feita após o primeiro trimestre (mas geralmente sem contraste). A Tomografia Computadorizada utiliza radiação e, portanto, é contraindicada na gravidez, sendo feita apenas em casos de extrema emergência e risco de morte para a mãe, com proteção de chumbo na barriga.

4. Qual é o melhor exame para descobrir Alzheimer?

O diagnóstico do Alzheimer é clínico. Não existe um único exame de sangue ou imagem que decrete “você tem Alzheimer”. O processo envolve a Avaliação Neuropsicológica (para atestar a perda cognitiva), aliada à Ressonância Magnética (para descartar tumores ou AVCs ocultos e verificar a atrofia do hipocampo).

5. O que significa “com contraste” na ressonância?

O contraste é um líquido injetado na veia durante o exame (na ressonância, usa-se o Gadolínio; na tomografia, o Iodo). Esse líquido “ilumina” os vasos sanguíneos e facilita muito a visualização de inflamações agudas, esclerose múltipla e tumores cerebrais, que ficam “acesos” na imagem final.

6. Preciso lavar a cabeça para fazer o Eletroencefalograma?

Sim. É exigido que o paciente lave os cabelos apenas com shampoo (sem condicionador, cremes, óleos ou gel) na noite anterior ou no dia do exame e compareça com o cabelo totalmente seco. A gordura e os cremes impedem que o eletrodo cole no couro cabeludo e capte a eletricidade do cérebro com clareza.

7. Tenho pinos metálicos no corpo. Posso fazer Ressonância?

A ressonância magnética é um ímã gigante. Pinos ortopédicos recentes de titânio, implantes dentários e aparelhos ortodônticos geralmente não são atraídos pelo ímã, mas podem distorcer a imagem se estiverem na cabeça. No entanto, marca-passos antigos, clipes de aneurisma antigos e fragmentos de bala de arma de fogo são contraindicações absolutas. O médico radiologista sempre avaliará o material antes.

8. Tontura forte pode ser problema neurológico?

Sim. Embora a maioria das tonturas tenha origem no ouvido interno (labirintite, VPPB), tonturas súbitas e intensas, acompanhadas de dificuldade para falar, engolir ou andar, podem ser o sintoma de um AVC na parte posterior do cérebro (cerebelo ou tronco cerebral), exigindo exames de imagem urgentes.

9. O que o Mapeamento Cerebral tem de diferente do Eletroencefalograma comum?

O Mapeamento Cerebral (ou EEG Quantitativo) é a versão computadorizada e processada do EEG comum. Um software pega as ondas elétricas captadas, faz cálculos matemáticos e gera “mapas coloridos” do cérebro, facilitando a identificação de áreas que estão hiperativas ou muito lentificadas.

10. Por que me pediram Eletroneuromiografia para os dois braços se só um formiga?

Porque o exame precisa de um “parâmetro de normalidade” que é você mesmo. O médico avalia primeiro o nervo do braço bom para ver como o seu corpo conduz a eletricidade naturalmente, e depois compara esses dados matematicamente com o nervo do braço que está doente (formigando), confirmando a lesão (como na Síndrome do Túnel do Carpo).


Referências Bibliográficas

  • Gagliardi RJ, Takayanagui OM. Tratado de Neurologia da Academia Brasileira de Neurologia. 2ª ed. Elsevier; 2019.
  • Campbell WW. DeJong’s The Neurologic Examination. 7th ed. Lippincott Williams & Wilkins; 2012.
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  • Brazis PW, Masdeu JC, Biller J. Localization in Clinical Neurology. 7th ed. LWW; 2016.
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  • Principais Exames Cardiológicos

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